RECURSOS

Texto: Romão Brandão, enviado ao Huambo

2022-10-10T07:00:00.0000000Z

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Media Nova

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A província do Huambo aguarda exploração de terras raras prevista para o próximo ano, depois de ser feita a prospecção no município de Longonjo. A empresa que vai explorar está identificada e aguarda por procedimentos burocráticos, segundo o chefe de departamento de recursos minerais do Huambo, Eduardo Chitete. Depois de feita a prospecção, a província do Huambo, que tem nas terras do município de Longonjo este valioso mineral, aguarda que a empresa responsável comece a exploração, no próximo ano. A Covid-19 terá impossibilitado o começo, neste ano, segundo o chefe de departamento de recursos minerais do Huambo, Eduardo Chitete Tidas como o novo “ouro negro”, asterrasrarassãoumconjuntode elementosquímicosconstituídos pela família dos lantanídeos e do ítrio, não apenas muito difícil de serexplorado,mastambémmuito importante dada a sua utilidade em vários sectores, com destaque para a produção de supercondutores,baterias,memóriasdecomputador, lasers, cabos de fibra óptica, entre outros. Asterrasrarassãoencontradasemmuitopoucos países e, neste momento, tem a China como o maior exportador deste minério no mundo. Opaís,apartirdaprovínciadohuambo,prepara-separaexploraresteproduto,depoisdeser feita a prospecção e chegado à conclusão de que dispõe de uma reserva considerável, no município do Longonjo. Ementrevistaexclusivaaojornalopaís, Eduardo Chitete, chefe do departamento de recursos minerais do Huambo, disse que o projecto está a andar e só não se deu início no presente ano, tal como estava previsto, por questões de força maior, mas provavelmente, no próximo ano, retoma. Justificaqueporcontadapandemia,aempresa ficou paralisada e não foi a tempo de trazer as máquinas,nemdemontaramina.“maselaprometequenopróximoano,oprojectoarranca.a previsão é de que no primeiro semestre tenhamos a exploração de metais raros em Longonjo – a princípio o único município onde foi encontrado este material”, disse. A empresa já fez um pedido para a criação de umramaldecaminhodeferrodaestaçãodolongonjo para o projecto, por exemplo, e estes dois aspectos representam um ganho para o município.recentemente,acrescentouoentrevistado, a mesma empresa lançou um concurso público para a área administrativa e a maior parte destes trabalhadores serão absolvidos no município em questão. Outro dado importante que Chitete avançou é que todos aqueles que estão ao arredor da mina, a empresa está a dar um valor e a dar uma outra área para fazerem a exploração agrícola, já que a área anterior servirá para a exploração de minerais raros. “Tem havido interação entre a empresa e a população que vive ao arredor da mina e é de louvar este trabalho de responsabilidade social que a empresa está a fazer”, reforçou. Ouro e diamante entre os mais explorados A província do Huambo está no bom caminho em termos de exploração dos recursos minerais, de acordo com o responsável entrevistado, com o aparecimento de muitas empresas a solicitarem zonas de exploração. Neste momento, a província do Huambo tem mais olhos para o ouro e o diamante, minerais que foram descobertos há bem pouco tempo nesta região. Uma empresa sediada em Luanda fez a exploração do ouro, no município de Chicala Choloanga, comuna de Samboto, mas neste momento o projecto encontra-se paralisado. “As alegações da empresa dão conta de que a paralisação deve-se à enchente do Rio Cunene, local que usam para fazer a exploração”, sublinhou. Quanto ao diamante, ainda está na fase de prospecção, têm uma empresa instalada no município do Mungo que está a fazer este trabalho. “Temos feito outras pesquisas e o município do Mungo é muito rico, não só em diamante, mas também em ferro. O município da Cahala tem ferro e ouro, Longonjo tem metais raros. Embora estejamos concentrados no ouro e no diamante, temos feito pesquisas de outros minerais na província”, reforçou. Muitas empresas de exploração de minerais ficaram inactivas na província do Huambo, tendo perdido 11 delas e, sobre este assunto, Eduardo Chitete explicou que a crise económica esteve na base e com o agravante do aparecimento da Covid-19. Neste momento, estão a trabalhar com quatro empresas de exploração de brita; uma de exploração de granito para britagem, que está na fase de pesquisa; uma de ouro, no Sambote, outra de diamante, no Mungo, e de metais raros, também em prospecção, no município de Longonjo. “Praticamente, em todos os municípios da província do Huambo tem alguma coisa, o que falta, se calhar, é mesmo um estudo ou pesquisas mais aprofundados. Precisamos de técnicos para fazerem este trabalho. A província é rica, fala-se muito da existência de ouro, diamante, rubi, turmalina (verdes e cristalinas), etc”, sublinhou. Passagemdeexperiênciaparaosnacionais A relação entre os nacionais e os estrangeiros nestasempresasexploradorastemsidoboa,principalmentenoquedizrespeitoàtrocadeinformaçõeseexperiência.estasempresastêmgarantido empregoaosnacionais,segundochitete,sobretudo aquelas que exploram granitos para britagem, que têm trabalhadores fixos. “Paraasempresasdeprospecção,éumpouco difícilporqueostrabalhadoresnãosãodefinitivos, algunsacabamdesistindoporquesãotrabalhos esforçados, o manuseio das máquinas, etc. Diariamente têm trabalhadores novos”, sustentou. Existe na província do Huambo uma escola politécnica,nomunicípiodacahala,queministra o curso de geologia. O curso é novo, está apenas há um ano, e ainda não têm finalistas. O entrevistadoreconheceuanecessidadedemaistécnicos e especialistas nesta área, pelo que esperam que com este curso o quadro melhore. “Temosformandosdolubangoeosdeluanda, para além dos nossos que saem daqui e vão se formar fora do país, principalmente em Cuba, que têm emprestado o seu saber nestas empresas. O projecto de Longonjo necessita de geólogos e já temos alguns angolanos a estagiarem no local”, finalizou.

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