PAÍS TERÁ PRIMEIRA REFINARIA DE OURO EM JUNHO DE 2023

Angola vai agregar valor ao produto final resultante da exploração do ouro, enquanto recurso mineral valioso, passando a refiná-lo no país e disponibilizá-lo ao mercado nacional e internacional com maior valor comercial

Texto: André Mussamo

2022-08-01T07:00:00.0000000Z

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Media Nova

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ACTUALIDADE

Um investimento de cerca de USD 7 milhões, 100% garantido pela diamantífera ENDIAMA, detentora maioritária da empresa Geoangola, a proprietária da futura refinaria, vai fazer nascer no Polo Industrial de Viena a primeira refinaria do metal precioso em Angola, que fica operacional dentro de 12 meses. O valor cobre os custos de construção, equipamento e alguma consultoria de suporte ao projecto que tem como prioridade a valorização do quadro nacional, pelo que a mesma vai contar com uma força de trabalho composta por jovens angolanos licenciados dentro ou fora do país. Com a implementação do projecto de refinaria de ouro em Angola, espera-se a verticalização da cadeia de produção do metal, o apoio aos produtores nacionais, assim como, atestar a conformidade legal do produto no território nacional para a sua posterior introdução no mercado. Esta, igualmente, associado ao projecto a geração de postos de trabalhos indirectos, assim como será uma contribuição à diversificação da economia nacional e um contributo para a arrecadação de receitas fiscais. Na futura refinaria serão também criadas capacidades para avaliar a qualidade e o valor do ouro produzido em Angola, assim como por outros países que, apesar de serem detentores do minério, ainda não têm capacidade instalada para a sua refinação. O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, revelou, à margem da cerimónia de lançamento da primeira pedra, em Junho passado, que “toda a produção actual do país” é exportada, exactamente por falta de capacidade de refinar o produto localmente. Só no último trimestre, o país produziu cerca de 90 Kg do precioso metal, que mesmo sendo ainda pouco em comparação ao potencial, transformados lo calmente até ao estágio com maior valor de mercado, o país terá obtido muito mais do que a cifra que alcançou. Diamantino Azevedo está optimista de o mercado da produção do ouro vir a aumentar a sua contribuição para a riqueza nacional, uma vez que existe um grande potencial de existência deste minério em solo angolano, conforme conclusão de pesquisas já realizadas. Não obstante, a exploração do ouro ser um “trabalho de paciência”, porque entre a prospecção até chegar à exploração dura em média cinco a dez anos. A aposta na sua exploração é um esforço que vale a pena consentir, dada a multiplicidade da sua utilidade, tanto em manufacturados e aplicação cientifica, quanto como recurso mais valioso na área financeira. O ministro acredita que refinando o produto localmente “podem surgir ourivesarias”, e se pensar-se em juntar o potencial do ouro a toda a infraestrutura de valorização da cadeia dos diamantes que o país está a criar, podem surgir, no futura, oportunidades de bons negócios, assim como servir de “chamariz” para que mais investidores se interessem pela actividade. Uma refinaria de ouro é uma infraestrutura que pode ser de pequena, média ou grande dimensão, capaz de realizar o processo que permite a pesagem, separação e finalmente a purificação do precioso metal, separandoo das impurezas antes de o destinar à venda ou à transformação em liga para fins específicos.

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