EMPRESAS

A subsidiária da estatal Endiama é das maiores empregadoras da região Leste do país. Entretanto, a indiana KGK Angola, controla a lapidação dos diamantes angolanos

Texto: Miguel Kitari

2022-08-01T07:00:00.0000000Z

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Media Nova

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CARTA DO DIRECTOR

Mais de 90% das empresas que prestam serviço a Catoca está SEDIADA no Leste do país. A subsidiária estatal Endiama é das maiores empregadoras da região que, apesar da Pandemia, o projecto minério conservou a sua importância estratégica na região e no país. ASociedade Mineira de Catoca, que assinalou recentemente 27 anos de actividade, trabalha com mais de 100 empresas, entre pequenas, médias e grandes, como prestadoras de serviço. Deste número, mais de metade está baseada na Lunda Sul e na Lunda Norte. “Grande parte das empresas com as quais trabalhamos estão sediadas na região leste, criando empregos e rendas às famílias. Posso estimar que elas representam mais de 90%”, avançou, Mário Domingos, o portavoz da empresa mineira Catoca. Indianos controlam lapidação Mário Domingos referiu que “a Índia continua a ser o país que trata da lapidação, ao mesmo tempo que é um mercado consumidor. Estados Unidos da América e China são outros mercados. Entretanto, Antuérpia – Bélgica, é o maior mercado mundial”, referiu. O controlo da lapidação dos diamantes angolanos foi reforçado em Novembro de 2019, quando foi inaugurada, em Luanda, a quarta fábrica de lapidação de diamantes denominada “KGK Angola”, com capacidade para processar 100 mil quilates de diamantes brutos/ano, elevando para 4 o número de unidades do género no país. Com 25 milhões de dólares previstos, na altura, para uma 1ª fase, a iniciativa resultou de uma parceria entre o grupo indiano KGIC (65%), a UST (30%) e a Sodiam E.P. (5%). Entretanto, Mário Domingos considera que Catoca está alinhada com os objectivos de levar para o Leste todas as vantagens decorrentes da exploração mineira na região, criando empregos, escolas, centros de saúde, centros infantis e uma forte aposta no sector da agricultura e pescas. Relactivamente à gestão da participação de uma das parceiras do Projecto Catoca, que detinha 18% da participação, que viu arrestadas as suas acções pela Procuradoria-geral da República, Mário Domingos é cauteloso e diz: “a situação está na esfera dos tribunais e não podemos pronunciarnos. Em todo o caso, o arresto não significa o fim do processo”. Importa referir que os sócios da Sociedade Mineira de Catoca aprovaram, a 28 de Junho passado, o Relatório de Gestão e Contas referente ao exercício de 2021. No ano passado, a empresa faturou 757 milhões de dólares e obteve um lucro líquido de 270 milhões de dólares norte-americanos, o maior registado ao longo dos 27 anos de história da empresa. De acordo com Mário Domingos, portavoz da Sociedade Mineira de Catoca, entre os principais temas desta Assembleia Geral estiveram em destaque as acções da empresa em prol da qualidade de vida dos trabalhadores, através da fixação de uma taxa de câmbio, para a manutenção do poder de compra dos trabalhadores, face à “valorização” do kwanza em relação ao dólar, uma vez que, à semelhança do que ocorre em outros sectores, os trabalhadores de Catoca têm o salário indexado ao dólar.

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