DISPARO MORTAL INTERROMPE REGRESSO DE ‘ABECONOMICS’ À POLÍTICA ACTIVA

2022-08-01T07:00:00.0000000Z

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Media Nova

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LUTO

Quando na edição de Outubro de 2020, a última com a chancela da Exame, noticiámos o afastamento de Shinzo Abe da política activa, pela segunda vez, por uma colite ulcerosa, nada fazia perspectivar mais o seu regresso. Engano alegre. Passados cerca de dois anos, o homem que estava perto de fazer o milagre económico no Japão regressa em grande, mas é brutalmente interrompidoporumdisparomortal,duranteumcomíciodoseupartido,na cidade de Nar Acerimónia fúnebre oficial do ex-primeiroministro japonês, Shinzo Abe, de 67 anos, será realizada a 27 de Setembro, no Nippon Budokan, em Tóquio. O político foi assassinado há 8 de Julho, durante um discurso de campanha a favor do seu partido, na cidade de Nara, no Oeste do Japão, por um atirador. Em Outubro de 2020, foi a segunda vez que Shinzo Abe renunciara ao cargo por razões de saúde. ‘Abeconomics’, como era tratado, fruto das suas medidas de políticas económicas, deixara, na altura, a terceira maior economia do mundo com PIB ‘infectado’ pela COVID-19, em 27,8%. ‘Abenomics’ é a alcunha do ex-primeiroministro, atribuída por conta das suas políticas económicas, viradas para o livre mercado, caracterizadas pela flexibilização quantitativa, políticas de estímulo à produção e equilíbrio fiscal, além de ajustamento estrutural, enquanto buscou manter e expandir o estado de bem-estar social japonês. Colite ulcerosa, enfermidade que ‘exonerou’ Abe do cargo, é uma doença caracterizada pela inflamação da camada mais interna da parede do cólon e do reto, restringindo-se à região terminal do tubo digestivo. Especialistas referem que pessoas acometidas com a doença, cuja causa é desconhecida, manifestam sintomas como diarreia frequente, com sangue, pus e muco, dor abdominal simultânea à defecação, febre e perda de peso. A natureza dos sintomas podem ser intensos e de aparecimento súbito ou manifestar-se progressivamente, o que desencadeia outros sintomas como artrites, lesões da pele, manifestações oculares, hepatite, alterações biliares e anemia. Percurso Graduado em Ciência Política, em 1977, pela Universidade de Seikei, dá o sinal mais evidente da carreira política, passados cinco anos após a formação, seguindo os passos do seu pai Shintaro Abe e do avô Kan Abe. A função de porta porta-voz e ministrochefe do gabinete de Junichiro Koizumi, 87º primeiro-ministro do Japão, foi a grande porta de entrada para chefiar o governo nipónico. Aliás, Shinzō Abe sucede a seu chefe, em Setembro de 2006, por via do Partido Liberal Democrata, permitindo-lhe a indicação para o cargo de primeiro-ministro ao fim do mandato de Koizumi. Considerado político de perfil conservador, definira a reforma constitucional e o restabelecimento das relações com a República Popular da China e a Coreia do Sul, como principais objectivos, prejudicadas pelas visitas do antecessor Koizumi ao Santuário Yasukuni, em Tóquio, que homenageara mortos da Segunda Guerra Mundial. Quando assumiu o posto, as suas primeiras visitas foram à China e à Coreia do Sul, a fim de melhorar as relações com os dois países. Denunciou o teste nuclear da Coreia do Norte como “um sério desafio à segurança do Japão”. Além disso, conseguiu aprovar uma resolução de sanção contra aquele país junto do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Diplomacia Em termos de diplomacia, visitou 176 países nos últimos oito anos em que esteve na política activa, com a defesa do olhar global. Realizou uma reunião de cúpula do G7 em Ise (Mie) em 2017 e no ano passado foi a Osaka. Depois do G7 de Mie Obama visitou Hiroshima e Abe foi a Pearl Harbor, no Havaí. Com Trump, mantém bom relacionamento. Em relação à Coreia do Norte, ainda estão pendentes as questões dos testes nucleares, dos sequestros e das mulheres que foram usadas pelos soldados na época da guerra. Na diplomacia económica, houve avanço das negociações do Tpp-acordo de Parceria Transpacífico e a participação de 11 países, excluindo os Estados Unidos, o qual se retirou. Tetsuya Yamagami, o atirador De 41 anos, Tetsuya Yamagami, o atirador que fez dois disparos mortais contra Shinzo Abe, é caracrterizado como um jovem desempregado e ex-membro das Forças de Autodefesa Marítima do Japão país, segundo a imprensa local. O acusado é natural de Nara e foi detido com a arma do crime em mãos, num país onde a lei para compra de armas é apertadíssima e que tem uma das taxas mais baixas do mundo no que diz respeito a mortes com armas de fogo. Consta que ele se encontrava desempregado desde Maio último, quando deixou de trabalhar numa empresa industrial em Kansai, no centro-sul do país. Entre 2002 e 2005, integrou o exército nipónico, de acordo com o Ministério da Defesa. O suspeito pelo ataque a Abe disse às autoridades que terá planeado o atentado por ressentimento para com “uma organização específica”, disse um oficial da polícia em declarações aos jornalistas. “E confessou ter cometido o crime porque acreditava que o antigo primeiro-ministro Abe estava relacionado com ela”, acrescentou. Nas declarações às autoridades, o alegado agressor terá ainda mencionado problemas familiares pelo facto de a sua mãe pertencer a essa mesma organização. Em alegações confusas, Yamagami terá sublinhado, porém, que não guardava “qualquer rancor contra ele [Abe] por causa dos seus princípios políticos”. Yamagami foi imobilizado pelos serviços de segurança de Abe e levado pela polícia, que posteriormente revistou a sua casa e encontrou outras armas semelhantes também fabricadas pelo suspeito. O japonês confessou ter “feito várias armas” caseiras, entre elas uma bomba, com o objectivo de criar uma arma que fosse a “mais letal possível”, segundo avançou a polícia à agência Kyodo News.

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