“JES lançou as bases da industrialização”

Laúca, ZEE e as fábricas de cimento são algumas realizações que têm o dedo indelével do antigo Estadista. A visão é do presidente da AIA, José Severino.

Texto: Milton Manaça

2022-08-01T07:00:00.0000000Z

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Media Nova

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PERCURSO

Com a guerra de quase 30 anos, sublinha José Severino, a pouca industrialização herdada do tempo colonial quase que desapareceu na plenitude, no período compreendido entre 1975-2002. Como não há industrialização sem electricidade, o interlocutor começou por traçar os feitos de JES com a conclusão da barragem de Capanda, após o alcance da paz, que descreve como ponto de partida para o longo processo de criação de indústrias em curso. Dinamizou-se um triângulo de industrialização que abrange a Zona Económica Especial (ZEE) e Pólo de Desenvolvimento industrial de Viana, em Luanda, o Pólo de Desenvolvimento da Catumbela, Benguela, e alguns focos de industrialização na Huíla e Huambo, descreve José Severino. Realça que, desde o alcance da paz, começou-se a fazer estradas e recuperar-se pontes e, em função disto, o país foi avançando numa tónica animadora que permitia ter uma nova visão industrial. Apesar do processo ir oscilando pelo facto de a fonte de financiamento ser unicamente o petróleo, com o qual o Governo geriu a guerra, JES impulsionou a criação ZEE, descrito pelo responsável da AIA como um projecto bem estruturado e de grande dimensão. “O lado débil da ZEE foi ter sido mal concebido na questão das tecnologias de produção. Houve aproveitamentos, de brasileiros fundamentalmente, que levaram tecnologias que não davam capacidade de produção às empresas, mas ela é um grande projecto de produção em qualquer parte do mundo”, considerou. Ainda no advento da paz, destaca o relançamento do Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela e de Viana. Com excepção da Refinaria de Luanda, recentemente reabilitada, o homem forte da AIA lembra que quase todos os projectos de caris industrial estavam destruídos, apontando os casos da indústria da Mabor, indústria de montagem de viaturas e madeireiras que acabaram por desaparecer. “O nosso sector do peixe era muito forte e estávamos em primeiro lugar na produção e exportação de farinha de peixe e depois passamos para o terceiro lugar. Tínhamos uma indústria muito diversificada de conserva e hoje permanecemos apenas com a congelação”, disse. Ainda sobre a industrialização herdada do tempo colonial, tmabém destaca que Angola era o maior produtor mundial de sisal, sétimo maior exportador de algodão Na época de JES, Severino destaca também o esforço feito pelo antigo Estadista para potenciar a indústria cimenteira nacional, sendo que o país era um grande importador de cimento, mesmo as grandes obras feitas pelos chineses. Com JES surgiram a cimenteira Nova Cimangola SARL (Luanda), Cimenfort industrial Lda (Luanda), Fábrica de Cimento do Kwanza Sul (FCKS-SUMBE), CIF Luanda Cement Limitada (Bom Jesus-luanda), tendo sido activada também ENCIME-EMPRESA Nacional de Lobito. A busca pelo crédito na China José Severino foi uma das figuras que acompanhou JES à China, quando o país buscava financiamento externo para a reconstrução depois da paz, depois que viu países do ocidente recusarem fazer investimentos em Angola, por alegarem que já previam o sentido da corrupção. O crédito cedido pelo país asiático, segundo Severino, foi de USD 40 mil milhões que, infelizmente, parte do dinheiro foi mal usado por pessoas próximas ao antigo Presidente. Entretanto, refere, foi com este dinheiro que se construiu a barragem de Laúca, actualmente o maior projecto hidroeléctrico no país. Assinala ainda a reabilitação dos Caminhos-de-ferro de Benguela (CFB) e do Moçamedes, que servem para impulsionar a industrialização e a economia do país.para o presidente da AIA, o desenvolvimento da economia angolana na era JES foi também impulsionado com a internacionalização da Feira Internacional de Luanda (FILDA), que chegou a ser a terceira maior feira de África e, com a pujança do petróleo, tinha todas as condições para ser a primeira ou o segundo maior centro de negócios do continente berço..

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