O alvorecer da Web3 (Web.3)

Texto: Redacção*

2022-06-01T07:00:00.0000000Z

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Media Nova

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FISCALIDADE

“Estamos noalvorecerdeumanovaeradainternet” assim definíamos na edição anterior desta revista o processoemcursonomundodacomunicaçãodigital. Istoé,apassagemdachamadaweb2,quecaracteriza a internet como a conhecemos hoje, para um novo conceito que integra tecnologias ainda mais avançadas, aanosluz,quaseopodemosdizer,doque foi a Web1, criada há 33 anos Da mesma forma que a mudança da Web1 para a Web2 foi gradual, também o será a passagem da Web2 para a Web3. Pode-se definir a Web3, ao mais alto nível, como internet descentralizada. Para os utilizadores, isto significa que as ligações online serão redes descentralizadas, ponto a ponto, em vez de redes centralizadas (como a Google ou o Facebook). A Web3 é também frequentemente referida como “Web semântica” – um termo criado por Tim Berberslee, um cientista de computadores que é largamente creditado como tendo inventado a world wide web em 1989. A web semântica suscita a ideia de que esta nova era da internet será mais autónoma, inteligente e aberta. Embora ainda não tenha sido explorado a fundo o aspecto da automatização da Web3, a próxima geração da internet será uma em que humanos e máquinas (e.x. artificial inteligência, etc) serão capazes de conectar-se de forma harmoniosa e comunicar. Na Web3, os dados serão intercontectados de uma forma descentralizada, em vez de serem armazenados nas mãos de poucas entidades. Estas conexões são possibilitadas através de protocolos descentralizados, que são as bases das tecnologias blockchain e das criptomoedas. No centralizado mundo da Web2, a autoridade central pode ser vista como a lei – determinando as validades das transacções, o que pode e não pode ser feito numa plataforma e por aí fora. Como exemplo, quando se envia dinheiro de um banco para outro, o banco em última análise aprova se a transacção é processada e é concretizada. O banco determina se o remetente ou emissor tem fundos suficientes para enviar, entre outros critérios, e, por fim, aprova a transferência. Sem autoridade central No mundo descentralizado da Web3, não há autoridade central, e o código ( como a rede blockchain descentralizada é construída) é a lei. A rede determina se o emissor tem fundos suficientes para enviar e, no final, aprova a transferência de fundos, uma vez feitas as verificações. Outras formas de governança descentralizada, tais como as Organizações Autónomas Descentralizadas (DAO em inglês) e contratos inteligentes (smart contracts), entre outros meios – conduzirão a uma nova era de supervisão gerida pela rede descentralizada e os seus participantes. Ao nível do utilizador da internet, tudo continuará a parecer como antes. As aplicações continuarão a trabalhar como na última década. No entanto, a retaguarda da Web3 será consideravelmente diferente. Imagine-se as versões da Web3 para os mais populares casos de uso da internet e não será difícil ver como a descentralização desses serviços pode alterar a paisagem digital de forma muito significativa. Alguns exemplos: ■ Plataformas de redes sociais centralizadas versus redes sociais descentralizadas ■ Instituições bancárias centralizadas versus finanças descentralizadas ■ Plataformas de comunicação centralizadas (ex.: email, texting) versus comunicações descentralizadas ■ Etc. Se ainda não é suficientemente claro, a Web3 é uma internet propriedade dos seus construtores e dos seus utilizadores (em vez das gigantes tecnológicas de hoje). A sua falta de centralização significa que o controlo da internet passa para o utilizador individual, e que os valiosos dados e privacidade correspondentes podem, finalmente, ficar sob o controlo de cada pessoa que participa na economia da Web3. Isto, juntamente com outros factores, desbloqueará inteiramente novas economias, colocará num outro nível o campo de actuação de todos os participantes na internet, e criará novos níveis de valor que não são imagináveis (ou concretizáveis) no mundo da Web2 de hoje.

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