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2022-06-01T07:00:00.0000000Z

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Media Nova

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DESTAQUE

Mil milhão de pessoas afectadas por eventos extremos do clima e desastres naturais na última década, contribuindo para o aumento da fome global. No contexto de uma crise alimentar iminente, a Etiópia emergiu como um país africano que tomou medidas significativas para alcançar a autossuficiência na produção alimentar. Com o apoio do programa Tecnologias Agrícolas para a Transformação Agrícola Africana (TAAT) do Banco Africano de Desenvolvimento, a Etiópia não importou cereais em 2022, enfatizou o Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento Akinwumi Adesina, durante uma reunião recente com os ministros do desenvolvimento do G7. O certame ocorreu numa altura em que África enfrenta uma grave escassez de pelo menos 30 milhões de toneladas métricas de alimentos resultantes da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. A guerra afectou especialmente o trigo, o milho e a soja importados de ambos os países. “Fornecemos mais de 61.000 toneladas métricas de sementes - de variedades de trigo tolerantes ao calor para a Etiópia”, disse Adesina aos ministros do desenvolvimento do Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido, e União Europeia e Estados Unidos. As sementes permitiram à Etiópia aumentar as suas áreas cultivadas de produção de trigo, de 50 mil hectares em 2018, para 167 mil hectares em 2021 e para 400 mil hectares em 2022, disse Adesina. Adesina disse ter tomado conhecimento de que a Etiópia está agora a produzir trigo em 650 mil hectares e está no caminho certo para cultivar dois milhões de hectares no próximo ano. O país colheu 2,6 milhões de toneladas e planeia começar a exportar para o Quénia e Djibuti no próximo ano. “Que história incrível de sucesso. África tem o que é preciso para se alimentar a si própria”, disse Adesina. Ministros de vários estados africanos, incluindo o Senegal, África do Sul, Tunísia e Zâmbia participaram na reunião, convocada pela Alemanha, que detém a actual presidência do G7. Os ministros africanos desempenharam um papel activo nas discussões sobre o tema central ‘Resposta às Crises Múltiplas no Continente Africano - centrada na Segurança Alimentar’. Representantes da Comissão da União Africana, do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, do Fundo Monetário Internacional, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, do Grupo Banco Mundial e do Programa Alimentar Mundial também participaram na reunião. O Comissário para o Comércio e Indústria da Comissão da União Africana, Albert Muchanga, afirmou que apesar dos esforços em toda a África para resolver a produção alimentar, o continente continua a ser um importador líquido de alimentos, e salientou que chegou o momento de pôr fim a esta situação. Outros oradores apoiaram as opiniões de Muchanga, salientando o impacto da guerra na Ucrânia, as alterações climáticas, bem como as medidas a médio e longo prazos para garantir a segurança alimentar em África. O Ministro das Finanças do Senegal, Amadou Hott, disse que o seu governo tinha reservado 11% do orçamento para o sector agrícola, para ajudar a enfrentar a crise, e acrescentou que o governo senegalês tinha aumentado o seu orçamento agrícola global em 17%. Descrevendo a ajuda humanitária como uma resposta de “penso rápido”, Ute Klamert, Directora Executiva Adjunta do Programa Alimentar Mundial para Parcerias e Advocacia, disse que a guerra na Ucrânia deve ser vista como um ponto de viragem global. O Diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho, Gilbert Houngbo, afirmou que a solução reside na transformação do sistema alimentar e na maior importância da protecção social para os mais pobres. “Não há nada de natural ou inevitável na escassez de alimentos em África”, observou o Ministro britânico do Desenvolvimento, James Cleverly. Disse também que a eliminação das barreiras internas ao comércio em África, para demonstrar os benefícios do comércio livre, era outro ponto crucial. Adesina disse que o Mecanismo de Produção Alimentar de Emergência Africano de um plano de emergência para a produção alimentar em África, no valor de 1,5 mil milhões de Dólares, lançado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, seria utilizado para apoiar os países africanos na produção rápida de alimentos. Explicou que isto seria feito através do apoio aos pequenos agricultores, para colmatar o défice alimentar causado pela rotura do abastecimento alimentar devido à guerra Rússia-ucrânia. África enfrenta agora uma escassez de pelo menos 30 milhões de toneladas métricas de alimentos, especialmente trigo, milho e soja, importados de ambos os países. O Mecanismo de Produção Alimentar de Emergência Africano irá fornecer a 20 milhões de pequenos agricultores africanos de sementes certificadas. O Banco Africano de Desenvolvimento planeia investir 1,3 mil milhões de Dólares na implementação do plano e Adesina disse que iria procurar apoio do G7 para os 200 milhões de Dólares necessários para colmatar a lacuna de financiamento.

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