RECLAMAÇÕES DO SISTEMA FINANCEIRO SUBIRAM 12% EM 2021

Texto: André Mussamo

2022-06-01T07:00:00.0000000Z

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Media Nova

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ACTUALIDADE

Durante o ano de 2021, o Sistema Financeiro registou um total de 29 mil e 21 reclamações, informa o Banco Nacional de Angola (BNA) no Relatório Anual e Contas 2021, publicado recentemente. O número, ora divulgado, representa uma subida de 3 mil 174 reclamações (12,28%) em comparação ao período anterior, ou seja, ao ano de 2020, altura em que os consumidores de produtos e serviços financeiros apresentaram um total de 25 mil e 847 reclamações. Durante o período balanceado, as matérias mais reclamadas, segundo o Banco Central, estão relacionadas, essencialmente, com contas de cartões de pagamento, caixas e terminais de pagamento automáticos, contas de depósitos, Internet e mobile banking, créditos e transferências que congregam perto de 80% (28 mil e 181 casos), de um total de 29 mil 21 reclamações apresentadas junto do Sistema Financeiro Angolano, pelos utentes do sector bancário. Outro elemento relevante no relatório do Banco Central referente a 2021, é a sua actividade fiscalizadora do sistema que permitiu realizar inspecções presenciais e de forma remota a todo o sistema. Em 2021, foram efectuados um total de 597 acções inspectivas com o objectivo de aferir, dentre outros aspectos, as margens cambiais na comercialização de divisas, as comissões no carregamento e utilização de cartões de bandeira internacional, sobre as reclamações apresentadas pelos consumidores, comissões nas operações bancárias, prazo de execução de transferências de valores em moeda nacional e estrangeira e a inserção de cobranças de comissões no âmbito dos serviços mínimos bancários. Durante o ano em balanço, o BNA fez, ainda, 175 inspecções à distância a 25 instituições financeiras bancárias, tendo registado uma variação de 18,98% face ao período transacto. O Banco Nacional de Angola ressalta que se verificou, em matérias de inspec ção, uma variação de 98% em relação ao periódo homólogo, devido ao alívio gradual das restrições inerentes ao combate e prevenção da propagação da Covid-19. Filas e demoras no antendimento Entretanto, numa ronda por diferentes dependências da rede de balcões de alguns bancos comerciais, os consumidores coincidem no tipo de reclamação para as quais gostariam de recomendar atenção especial do Banco Central. Apontam para as longas filas à porta das dependências e demoras no atendimento nos balcões como uma imagem para a qual o BNA deve mobilizar esforços conjuntos para a sua diminuição e extinção. “É uma imagem que demonstra falta de eficiência da rede de bancos que servem o nosso sistema financeiro”, mencionou João Mateleno, funcionário público que encontrámos agastado à saída de um banco depois de ter perdido, segundo disse, “preciosas quatro horas num banco” a que se adiciona a meia falta que sofreu hoje no seu serviço. Segundo o utente, dirigiu-se ao banco apenas para solicitar um novo cartão multicaixa, por caducidade do que usava até à data. Joana Hiolana, estudante, deslocou-se ao banco para pagar o valor da sua propina e solicitar abertura de conta. Mostrou-se agastada por a funcionária do balcão lhe ter solicitado que fosse obter um “atestado de pobreza” porque, segundo contou, quando perguntada se trabalhava respondeu que não. “Será que uma pessoa que não tem um emprego formal não pode ser detentora de uma conta? E nas escolas recomendam-nos a iniciarmo-nos cedo na literacia financeira!”, exclamou, incrédula, a estudante. Contou que pretende ter uma conta porque o seu progenitor quer repassar para si a responsabilidade de pagar os seus custos quotidianos, incluindo propina escolar e outras rubricas. Todavia, é o banco que lhe condiciona a abertura da conta com a necessidade de indicar uma entidade patronal para preencher um dos requisitos no formulário. Filas e demoras são problemas que foram reclamados por todos os consumidores contactados pela nossa reportagem em mais de cinco dependências de diferentes bancos comerciais, na urbe luandina, o que representa uma amostra que pode ser considerada como indicativa de um fenómeno que se repete em demasia. O BNA, por várias ocasiões, particularmente durante o pico da pandemia da Covid-19, intimou os operadores dos serviços bancários a melhorarem os serviços, recomendando “redução de tempo de espera, diminuição de filas, entre outros problemas” o que em alguns casos passou pelo acréscimo de horas de serviço, incluindo a abertura de dependências durante o final de semana.

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