Angola vai produzir 400 mil barris/dia

A conclusão das refinarias do Lobito, Cabinda e Zaire, assim comoamelhoriadadeluanda, vai permitirqueopaísproduza uma média diária de 400 mil barris de petróleo, anunciou, em Luanda, o Presidente da República, João Lourenço

Texto: Milton Manaça

2022-06-01T07:00:00.0000000Z

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Media Nova

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A estratégia passará pela conclusão das refinarias do Lobito, Cabinda e Zaire e melhoria da refinaria de Luanda. O anúncio é do Presidente da República, João Lourenço. OChefe de Estado, que discursava na abertura da 8ª edição do Congresso e Exposição de Petróleo Africano (CAPE), disse que a construção das refinarias tem como objectivo tornar o país num exportador de produtos refinados, deixando de ser apenas um exportador de petróleo bruto. Dentre estes projectos, João Lourenço destacou a futura Refinaria do Lobito, que será a maior, cuja construção anunciou para “tão breve quanto possível”. O Presidente da República disse que para inverter a tendência decrescente da produção de petróleo que se registou nos últimos anos, o Governo promoveu iniciativas para o relançamento da actividade de exploração, a melhoria da actividade operacional, a optimização de custos bem como o fomento do conteúdo local. Para a transição energética, com vista a uma economia com baixo consumo de carbono, destacou o Chefe de Estado, Angola tem promovido uma exploração sustentada dos recursos energéticos fósseis e gradualmente tem criado oportunidades para o desenvolvimento e utilização de fontes renováveis como a solar, eólica, biomassa e o hidrogénio, sustentando que estão em curso acções e projectos concretos neste sentido. Eliminar conflitos de interesse As reformas assinaladas no sector petrolífero, a partir de 2018, foi outra tónica do discurso do Presidente, realçando que as mudanças permitiram a criação de importantes departamentos como é o caso da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) com a função de concessionária nacional. Estas reformas foram extensivas ao Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP) e a restruturação da Sonangol EP para o seu reposicionamento e foco na cadeia de valor de petróleo e gás. As mudanças, refere João Lourenço, permitiram eliminar conflitos de interesse no sector, pois todas estas tarefas eram da competência de um único ente. O Presidente da República disse que o seu Executivo decidiu pelo aumento da capacidade de armazenagem de combustíveis e lubrificantes, assim como de postos de abastecimento com a entrada de privados no negócio. As reformas foram também extensivas na indústria extractiva onde o Chefe de Estado disse ter-se decido por maior transparência, com a constituição do seu comité de coordenação como órgão colegial, cujo objectivo é a promoção da boa governação e melhorar a transparência na gestão de receitas dos recursos minerais e petrolíferos. 125 mil milhões de petróleo em risco No evento da CAPE VIII, João Lourenço disse que o estudo “Futuro da Indústria do Petróleo e Gás em África à Luz da Transição Energética” realizado pela Organização Africana de Produtores de Petróleo (APPO) revela a probabilidade de mais de 125 mil milhões de barris de petróleo bruto e mais de 500 trilhões de pés cúbicos de gás de reservas comprovadas no continente ficarem para sempre inexploradas, caso o continente não esteja unido e capaz de defender os seus interesses enquanto continente. “O estudo sobre o futuro da indústria do petróleo e gás em África, à luz da transição energética, revela a existência de uma organização capaz de liderar as transformações da indústria petrolífera africana face à tremenda pressão do poderoso interesse externo para abandonarmos de forma precipitada os combustíveis fósseis”, considerou João Lourenço. Para João Lourenço, a médio e longo prazos, os combustíveis fósseis estão condenados a serem banidos definitivamente como uma das medidas para a protecção do ambiente e, consequentemente, do Planeta. Por esta razão, referiu a necessidade de todos estarem obrigados a aderir à transição energética para salvar o planeta Terra, tendo acrescentado que essa transição deve ser um processo gradual e responsável, que defenda o Planeta sem que traga mais fome e miséria aos povos daqueles países que têm a exploração do petróleo e gás como sua principal fonte de divisas. Entretanto, sublinhou que enquanto acontece o processo de transição energética, os países devem acelerar a diversificação das suas economias e aproveitar ao máximo as receitas do petróleo para a industrialização do continente. A actividade que decorreu até quarta-feira, 19 de Maio, teve como lema “Transição Energética, Desafios e Oportunidades na Indústria Africana de Petróleo e Gás” que João Lourenço considerou como uma demonstração da forte intenção de os líderes africanos produtores de petróleo e gás em abordarem e deliberarem sobre os desafios e as oportunidades da transição energética, assim como o futuro da indústria face à COP 21 e à COP 26”. No primeiro dia, assistiu-se ainda à assinatura de um memorando entre a APPO e o Afreximbank para a criação de um fundo de energia dos países membros da organização.

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