A Influência da Visão na Aprendizagem das Crianças JOSÉ GERALDES* * Director Técnico do Centrooptico

2022-09-01T07:00:00.0000000Z

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Media Nova

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OPINIÃO

Avisão é o sentido que leva a maior quantidade de informação ao cérebro. Os olhos e o cérebro têm a mesma origem embriológica, aliás os olhos são uma exteriorização do cérebro, estando por isso intimamente ligados. Uma boa visão depende de duas coisas fundamentais. A primeira é a condição anatómica/fisiológica e a correlação óptica das estruturas dos nossos olhos, tais como a córnea e o cristalino, que determinam o foco de luz exactamente sobre a retina, onde é feito o controlo dinâmico da luminosidade - fase óptica - sem defeito refractivo. Em linguagem mais simples, a boa visão depende de que as estruturas oculares estejam transparentes e funcionais e que permitam que a luz se foque na retina - responsável por transformar luz em sinais eléctricos que o cérebro vai decifrar em forma de imagens.wA segunda, é a condição neuro-sensorial onde estímulos fotoquímicos são processados em sistemas integradoscorticais,produzindohabilidades quesedesenvolvemprogressivamente.Em resumo,aluzéprocessadaemsinaleléctrico eeste,apósaperfeitaintegraçãoetransporte até córtex visual – zona do cérebro que é responsável pela interpretação deste sinal – resulta no sentido da visão.As ligações neuronais vão-se fortalecendo com o estímulo correcto, logo a seguir ao nascimento e durante a infância, não estando completamente definidos à nascença.Porestarazãoénecessárioqueas crianças tenham acesso, desde a mais tenra idade, a especialistas que lhes garantam um correcto desenvolvimento visual. Atribui-se à visão um papel preponderante na aprendizagem, sendo esta dependência estimada entre 60 a 70%, até os nove anos de idade, e permanecendo como o sentido de maior importância desde a adolescência até à terceira idade. Quando a visão falha produz impactos inquestionáveis na segurança e qualidade de vida dos indivíduos. Existe, é sabido, uma relação dinâmica entre desenvolvimento visual, as habilidades visuo-motoras e a capacidade perceptual, que, quando bem integradas, proporcionam a base ideal para a aprendizagem. Os distúrbios visuais associados aos distúrbios de aprendizagem devem ser avaliados em condições dinâmicas, através de testes relacionados com habilidades, como leitura, cópia e escrita, equilíbrio, deambulação, na prática de desporto e por outras actividades da rotina diária que exigem forte integração visuo-motora e sensorial. Os pais e os educadores em geral devem estar atentos a quaisquer dificuldades das habilidades de leitura, escrita e cópia, a desequilíbrios e falta de coordenação motora, dificuldades de apanhar uma bola, quando lançada, ou agarrar objectos pequenos. Muitas destas falhas são associadas a défices cognitivos e, por vezes, são apenas falhas na visão, que comprometem muito a aprendizagem. Sinais como aproximar-se muito da televisão, fechar um olho na leitura, falta de interesse ou adormecer nas tarefas que fazemos ao perto, olhos desalinhados, cansaço ocular, dores de cabeça e olhos vermelhos, depois de um esforço visual, estão normalmente associados a falhas no sistema visual. Estas falhas na visão poderão ser facilmente detectadas, com a realização de uma consulta de oftalmologia e optometria, e depois de devidamente compensadas contribuírem não só para uma boa aprendizagem, como garantirem o bom desenvolvimento da visão. Como sabemos, a função visual só está completamente desenvolvida no início da adolescência. Para um saudável desenvolvimento da visão, devemos proporcionar brincadeiras ao ar livre, às nossas crianças, e evitar o excesso de uso de telemóveis e tablets. Todas as crianças, até aos quatro anos, deviam ser avaliadas pelo menos uma vez e no primeiro ano de escola voltarem a ser avaliadas para se verificar a sua função visual, porque ver bem é aprender melhor.

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