Estabelecer limites

Psicólogo Clínico (CEP n°00169) e Psicoterapeuta Conjugal

NVUNDA TONET* *Autor do livro “Revelações afectivas e sexuais”. Atende no Consultório Oceanos em Luanda (+244923696957)

2022-08-01T07:00:00.0000000Z

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Media Nova

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OPINÃIÃOO

Muitas pessoas passam por momentos de angústia, aflição e desespero em silêncio. Sem verbalizar qualquer palavra, sem gesticular e sem coragem para desabafar, com receio de serem julgadas. Durante uma sessão de aconselhamento psicológico, ouvi atentamente uma funcionária pública que havia perdido a esperança no relacionamento afectivo. O noivo repetia o mesmo comportamento: ficava dias sem ter uma conversa, sem mandar uma mensagem de carinho e sem se preocupar com o bem-estar emocional da mesma. Antes mesmo de procurar ajuda profissional, a utente conversou com uma amiga que lhe aconselhou a “engolir os sapos”, e disse-lhe: “os homens são assim. É difícil encontrar um homem romântico”. Preocupar-se com o parceiro, dedicar tempo para a relação, traçar planos ou ser afectuoso são qualidades que devemos desenvolver para a estabilidade do relacionamento afectivo. Nem sempre, demonstramos afectos da mesma forma ou com a mesma frequência. Existem pessoas mais expressivas do que as outras. Existem comportamentos, atitudes e gestos que demonstram preocupação, carinho e comprometimento afectivo. Muitas vezes, quando estamos apaixonados ignoramos determinados sinais e atitudes. Alimentamos a nossa esperança com a crença em dias melhores. É importante estabelecer limites. O amor, a atenção e o afecto devem ser recíprocos. Ninguém deve estar dependente do outro para ser feliz. A felicidade é uma conquista individual. Não devemos colocar o nosso bem-estar e a nossa satisfação emocional dependentes da aprovação ou disponibilidade do outro. Temos de cultivar o prazer da própria companhia. Lembro-me de uma utente confidenciar durante uma sessão: “hoje consegui sair de casa e ir a um restaurante jantar. Depois fui ao Avenida ver um filme. Senti-me tão bem. Cansei de esperar pela disponibilidade das pessoas”! Podemos adiantar que a felicidade está nas pequenas coisas. Não precisamos de ter tudo para sermos felizes. É fundamental desfrutar de cada instante e acima de tudo: estabelecer limites nas relações.

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