As lapiseiras da Flor da Raiz

DANIEL COSTA Coordenador

2022-07-01T07:00:00.0000000Z

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Media Nova

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EDITORIAL

Quem imaginaria que um dia destes, uma mente sábia iria questionar se as lapiseiras se comem? Infelizmente, acabou por acontecer, pela boca de alguém que se supunha poder ser uma influenciadora para a juventude, embora as suas atitudes sempre acabaram por ser nebulosas. A forma como se atribuiu o estatuto de figura pública, não havendo um manual próprio que estimule isso, mas tão-somente o que cada um produz dentro da sua área de actividade e ponto final, vai fazendo com que se reconheçam protagonismos até mesmo naqueles que nada oferecem à própria sociedade. Fosse num país em que a educação é motivo de acesas discussões, por ser ainda a melhor via para se atingir o desenvolvimento, os pronunciamentos da kudurista Flor da Raiz lhe poderiam ter custado inúmeros prejuízos numa carreira em que também não se conhecem grandes sucessos, não fosse o reino de futilidades em que anda embrenhada. É por se descurar as lapiseiras abominadas por Flor da Raiz que dois kuduristas acabaram por pelejar em directo num show triste da ZAP TV. Tudo por causa de uma única palavra, ‘Irreverência’, quando se um soubesse de facto o seu significado poderia ter o ânimo menos alterado e o ego menos efervescente. A influência que muitos músicos gozam na nossa praça não deve ser menosprezada. É de lá que muitos adolescentes e até jovens buscam luzes para se poderem lançar também noutros domínios. Por isso, o que eles dizem, tanto pode impulsionar como derrubar a carreira que sempre sonharam e um dia contribuiriam melhor para os desígnios que o país procura. A forma como, por exemplo, diz abominar as lapiseiras, não sabendo a própria que já houve tempos em que neste país ‘a caneta era a arma do pioneiro’, evidencia muito bem que, se calhar, pensa melhor longe da cabeça. É que os investimentos feitos noutras partes do corpo vão mostrando aquelas que parecem ser as maiores e melhores prioridades de muita gente que deveria aproveitar melhor a língua quando está solta…

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